Minha trajetória profissional sempre foi guiada por um lema central: "Da Tecnologia à Sabedoria: Soluções com Conhecimento e Inteligência através do Poder da Informação e da Consciência". Recentemente, ao concluir o curso de Empreendedorismo ofertado pelo IFRS, chego à conclusão de que o ato de empreender transcende, em muito, a abertura de CNPJs. Empreender é, em essência, uma manifestação de inteligência aplicada, uma capacidade de transformar o abstrato em concreto.
Frequentemente, confunde-se o empreendedor com o empresário. No entanto, a literatura especializada esclarece que ser empreendedor é um comportamento, e não um traço de personalidade imutável, portanto, pode ser apreendido e desenvolvido. Schumpeter, em uma definição clássica de 1949, descreve o empreendedor como aquele que "destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e serviços".
Dentro da figura do Intraempreendedor vemos um funcionário que, mesmo dentro de uma organização estabelecida, atua transformando o ambiente, sugerindo inovações. Enquanto em organizações privadas o foco tende ao valor financeiro, no setor público o intraempreendedor busca criar valor social.
Minha experiência liderando a concepção de ecossistemas tecnológicos e atuando como agente de transformação digital é, e sempre foi, um exercício contínuo de intraempreendedorismo. Da mesma forma, a inovação no setor público exige a mesma visão (projetar o futuro) e persistência (agir continuamente para a implantação de um sonho) que são exigidas de todos os empreendedores.
Estudos apontam que a falta de planejamento é a causa principal do fechamento de 70% das micro e pequenas empresas nos primeiros anos. Por isso, cabe destacar o Plano de Negócio que se estabelece não como um documento burocrático, mas como uma ferramenta de gestão indispensável para diminuir riscos e incertezas. Ele atua como a arquitetura de uma iniciativa inteligente e robusta.
Nele, no mínimo, devem ser definidas:
- Análise de Mercado / Organização: Compreensão profunda do macroambiente e microambiente, ou seja, da situação.
- Análise SWOT / FOFA: Uma ferramenta de diagnóstico fundamental para mapear Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças.
Ao realizar a análise SWOT, devemos aplicar o mesmo rigor analítico que utilizamos na Ciência de Dados ou mesmo na Cibersegurança: identificar as vulnerabilidades nas nossas fraquezas entendendo as ameaças a fim de diminuir os riscos. Bem como, é necessário articular adequadamente nossas forças perante as oportunidades visando sempre uma realização promissora. Planejar é, assim, construir um conhecimento particular, estudando antecipadamente os cursos de ação plausíveis que garantam que a execução reflita a melhor posição estratégica possível.
Um ponto nevrálgico no curso foi a distinção entre invenção e inovação. Enquanto a invenção é a criação de algo novo, a inovação é a inserção bem-sucedida desse produto ou processo no mercado / organização. Drucker nos lembra que inovar é aproveitar oportunidades para atender às necessidades humanas.
Neste ponto, gostaria de destacar como a Semiótica e Análise do Discurso se conectam à prática empreendedora. Para inovar, é preciso ler os sinais do ambiente, analisar as potencialidades da situação e articular propostas de soluções que façam sentido semântico para as partes interessadas.
A criatividade da inovação, portanto, não é um dom místico, mas a capacidade de articular um cabedal de perspectivas em oportunidades a serem aproveitadas. É através da esperança de uma situação melhor para si e para os outros que encontramos a semente de um sonho empreendedor. Assim como é pela busca por novas fronteiras de realização que a vontade deixa de ser apenas esperança.
O sucesso de qualquer empreitada — seja orientar um aluno, criar uma arquitetura de sistema robusta ou encampar uma inovação intraempreendedora — depende sempre da integração bem-sucedida entre Teoria e Prática.
A verdadeira competência empreendedora exige essa capacidade de articulação: entender os signos da teoria e como eles se relacionam com as engrenagens da prática para então criar soluções que não sejam apenas tecnicamente funcionais, mas que carreguem um significado profundo e coerente. E não nos enganemos, todos nós, somos cheios de teorias. Mas é justamente essa habilidade de atribuir propósito coerente à técnica que eleva o ato de empreender. Que possibilita uma inovação relevante e que transforma a execução na construção de valor percebido.
Ser empreendedor é, em última análise, assumir a responsabilidade de transmutar a informação em inteligência aplicada. É a competência de orquestrar as teorias e as múltiplas técnicas a fim de converter a vontade em resultados. É arquitetar soluções que não apenas atendem a uma necessidade imediata, mas que, através de uma estratégia sólida e consciente, conquistem a efetiva materialização das inovações que transformam a nossa realidade.
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